Eu me apaixonei por você sem nem te ver. Me apaixonei por você quando eu ouvi as pessoas falarem de você. Fiquei ansiosa pra te ver pela primeira vez. Me arrumei, coloquei a melhor roupa, fiz a melhor maquiagem, passei o melhor perfume. E fui ao seu encontro. E quando você passou pela porta eu sabia quem você era. E foi engraçado.
Passei a noite te observando. Decorando cada detalhe. Percebendo como você é engraçado, como você é bonito, como você é sabido. Como foi fácil me apaixonar por você, bem ali, de pé, naquela noite chuvosa, latina, tão barulhenta, mas tão silenciosa.
Nós conversamos tão pouco, e foram os melhores minutos dos últimos tempos.
Não me entenda mal, a vida está ótima. Desde que resolvi mudar tudo, reorganizar os pensamentos, os móveis, a casa. Mas parece que com você, a vida voltaria a ser desorganizada, voltaria a ser cheia de surpresas, voltaria a ter aquele gostinho de amor bandido. E não me importaria o fato de rearrumar a casa todos os dias.
Ontem eu sabia que precisava te ver, sabia que precisava te lembrar que eu existo, que eu respiro. E você ainda acha que foi uma coincidência o nosso encontro. ba-ha-ha. Eu torci para estar certa, e torci que aquele lugar seria o lugar que você talvez notasse a minha existência. E como se o universo conspirasse a meu favor, você apareceu na minha frente. E meu coração bateu tão forte, que eu pensei que ele sairia ali mesmo, direto pra suas mãos. E eu fiquei tão nervosa, que não sabia o que dizer, o que fazer, como agir.
E quando você viu que eu estava sozinha, você veio pra perto de mim, conversou comigo, perguntou da minha vida, fez brincadeiras, e eu fiquei com medo do meu sorriso ser grande demais, da minha risada ser boba demais, de estar tão vulnerável, de estar te mostrando a verdadeira Flávia.
E enquanto eu contava a minha vida, e escutava a sua, parecia que as coisas faziam ainda mais sentido. E eu lembro de ter pensado "meu deus, como ele é adorável" e dei uma risada, e você me perguntou do que eu estava rindo, e eu com vergonha falei que não podia te contar.
Mas você não parece tão a fim de mim. Sua cabeça parece estar longe, pensando em outra pessoa, enquanto eu penso em você. O que ela possivelmente te fez de melhor, que eu possivelmente não posso fazer? Eu posso fazer qualquer coisa melhor.
Sim, isso tudo pode parecer loucura. Eu sou louca. Eu não tenho medo dos meus sentimentos. Eu nunca tive na verdade. Já perdi a conta de quantas vezes escrevi para outros, dizendo o quanto eu estava apaixonada, o quanto eu queria ser feliz ao lado deles. E você provavelmente não será o último. Mas eu gosto de ir dormir com um pensamento "Ai que merda, agora ele sabe e eu sou a menina doida que diz merda. E parabéns, você conseguiu espantar mais um!"
Uma pessoa já me disse "sua franqueza é sua maior qualidade, e seu pior defeito". Vai ver eu não tenho limites. Vai ver eu sou mesmo desequilibrada.
Ou, vai ver eu sou a evolução do ser humando. Hahahaha, prepotente eu sei. Mas eu acredito que o mundo seria melhor se as pessoas falassem uma para as outras o que sentem.
Eu acredito que por algum milagre você não me ache doida, mas me ache adorável. Dê uma risada, e sinta as mesmas borboletas que eu sinto quando eu penso em você.
Mas eu sei que as coisas não são assim. Não é uma declaração de carinho e vontade, que muda o que a gente sente por dentro (embora eu ache que devia funcionar assim...).
Por esse tempo de empolgação e descobrimento de sentimentos, você é o meu frio na barriga antes da montanha russa despencar. O gosto daquela bala da infância. É a excitação do novo. É o que eu não posso ter. É o que eu quero ter.
Eu não quero ser da brodagem. Eu não quero ser mais uma na sua cama. Eu quero ser aquela que você pode ligar no meio da tarde, e pedir pra ir ao seu encontro, pra gente sentar numa mesa de bar, falar sobre as maiores besteiras, dar risada, depois ter o melhor sexo, e ficar abraçado na cama, sem ter vontade de se mexer. Pensando em como a vida está boa nesse momento, sem ter que pensar no futuro, só no agora. Quero ser aquela que você vai ter vontade de abraçar, de dançar ao som do vento, imaginando a música perfeita que ainda não existe.
Eu não quero ter o rótulo de namorada, ou amiga colorida, ou fuckbuddy. O único rótulo que eu quero é de "aquela menina que me faz feliz quando está comigo". Eu não quero ser aquele compromisso de fim de semana. Eu não quero status em orkut e facebook. Eu quero, pura e simplesmente, ser o sentimento de montanha russa despencando.
E se nada disso for recíproco, eu ainda espero ser uma amiga de jazz num sábado a noite sem coisa melhor pra fazer.
Nina Simone - Feeling Good
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